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   Programa   

Domingo, 28 outubro, 18H00
Igreja e Convento de Santa Clara

Consonanze stravaganti – tocatas e madrigais do barroco italiano
Claudio Astronio, cravo e órgão


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Em 1615 dá-se em Itália um acontecimento importante que modificará a história da música de tecla: são publicados em Roma os dois livros de Toccate d’intavolatura di cimbalo et organo de Girolamo Frescobaldi, revistos e publicados de novo no mesmo ano e, mais tarde, em 1637.


Obviamente, a tocata não era uma novidade sob o ponto de vista formal ou estilístico (pensemos em Claudio Merulo e nos napolitanos). A novidade era trazida pelas advertências de Frescobaldi no início da obra, antes da parte musical. O que surpreende e que representa certamente um elemento de novidade disruptiva é exactamente a primeira advertência: “Primieramente non dee questo modo di sonar star soggetto a battuta...” (primeiramente, não deve esta forma de tocar estar sujeita ao compasso) e adiciona ”come ueggiamo usarsi ne i Madrigali moderni, i quali quantunque difficili si ageuolano per mezzo della battuta, portandola hor languida, hor veloce, e sostenendola etiandio in aria secondo i loro affetti, o senso delle parole.” (como vemos usar-se nos madrigais modernos que, por mais difíceis que sejam, são aliviados por meio do compasso, levando-o ora lento, ora rápido e suspendendo-o no ar segundo os seus afectos ou significado das palavras). É claro que os estilo a que se refere é a seconda prattica Monteverdiana, onde a palavra e a música se devem fundir num elemento emotivo mas estruturante chamado affetto. Não estar sujeito ao compasso significa contínuo contraste, mudança de afectos, secções polifónicas e medidas contra secções livres e virtuosísticas – tudo sem ser univocamente vinculado ao tempo durante a composição.


Daqui nasce a ideia deste programa. A primeira parte, dedicada ao cravo, inicia-se com uma dança – o pazzamezzo – que, enquanto tal, é absolutamente rítmico e preciso no que diz respeito ao tempo. Isto, para poder criar um contraste com as peças que se seguem: um madrigal intavolado – o célebre Ancor che col partire de Cipriano doi Rore, diminuido e intavolado para tecla por Andrea Gabrieli – e Frescobaldi com uma das suas obras mais célebres – as 100 Partite sopra Passacagli – e finalmente uma Toccata, escolhida pelo seu particular XXXX denso de contrastes fortes e e atmosferas virtuosísticas, juntamente com passagens livres e lânguidas. A segunda parte, ao órgão, é focada na escola napolitana, o centro musical mais importante da Europa, especialmente no final de seiscentos e princípio de setecentos, que desde sempre teve talentos musicais extraordinários. Giovanni Macque, de origem flamenga, cuja Intrada, manifesta, para além da fantasia de non star soggetto a battuta, também a stravaganza e a procura dos efeitos – maravilhas típicas da escola napolitana. Neste estilo enquadram-se seja a Toccata de Trabaci, seja a Toccata de Michelangelo Rossi (que, por sua vez, viveu em Roma como operistae violinista), onde a stravaganza parece não ter fim. Para concluir, um compositor napolitano ilustre por ter composto diversas passacalhas e partitas, peças escritas sobre um baixo ostinato, que exigem pelo seu lado uma estabilidade rítmica importante, embora repleto de extravagâncias e aspectos contrastantes. Assim, como comecei com uma dança, termino com outra: a célebre Ciaccona.


Claudio Astronio

 

 

CRAVO

 

Giovanni Picchi (1571-1643)

¬ Pass’e mezzo


 

Andrea Gabrieli (1533-1585)

¬ Anchor che col partire

Girolamo Frescobaldi (1583-1643)

¬ Cento partite sopra passacagli

¬ Toccata X
(Secondo libro di toccate, 1627)

 

 

ÓRGÃO

 

Giovanni de Macque (1595-1665)

¬ Intrada d’organo

¬ Consonanze stravaganti

 

Michelangelo Rossi (1602-1656)

¬ Toccata settima

¬ Partite sopra la romanesca

 

Giovanni Maria Trabaci (1575-1647)

¬ Toccata dell’ 8° tono

¬ Durezze e ligature

 

Bernardo Storace (1637-1707)

¬ Ciaccona

  Participantes  

Domingo, 28 outubro, 18H00
Igreja e Convento de Santa Clara

Consonanze stravaganti – tocatas e madrigais do barroco italiano
Claudio Astronio, cravo e órgão


 

Claudio Astronio

 

Claudio Astronio é um músico ecléctico: é cravista e organista e maestro. Actualmente dirige principalmente os seu agrupamento de música antiga Harmonices Mundi e toca também nos mais prestigiados festivais na Europa, nos EUA, no Japão e no Canadá. Tem tocado e dirigido com músicos como Emma Kirkby, Max Van Egmond, Dan Laurin, Gemma Bertagnolli, Susanne Ryden, Yuri Bashmet e Gustav Leonhardt. Participou em transmissões de rádio e televisão em todo o mundo: as suas várias gravações de cravo e órgão receberam muitos prémios internacionais de revistas como Musica, CD Classica, Amadeus, Classic Voice, Alte Musik Aktuelle, Diapason (Diapason d’Or 2003), Repertoire, Le monde de la musique (“Choc”, July 2001), El País, Ritmo, Diverdi, Goldberg, Continuo, Fanfare e Gramophone. Entre os seus interesses também estão jazz e pop: lançou recentemente com a cantora de jazz Maria Pia de Vito, Michel Godard e Paolo Fresu o CD crossover Coplas a lo divino. Deu masterclasses em Tóquio, no Conservatório de Oberlin e noutras academias na Europa, nos EUA e no Japão, e foi docente convidado no Royal College of Music em Londres e na Sibelius Academy em Helsínquia, e actualmente ensina cravo, teclados históricos e música de câmara no Conservatório A. Scontrino em Trapani. É membro da comissão artística do Concurso Internacional de Piano Ferruccio Busoni e membro fundador e director artístico do festival de música antiga “Antiqua” em Bolzano.

 

   Notas ao Orgão   

Domingo, 28 outubro, 18H00
Igreja e Convento de Santa Clara

Consonanze stravaganti – tocatas e madrigais do barroco italiano
Claudio Astronio, cravo e órgão


Igreja e Convento de Santa Clara (Funchal)

A Igreja de Santa Clara tinha adquirido um órgão de tubos em forma de armário com características italo-ibéricas do século XVIII. Com a extinção das Ordens Religiosas e consequente venda dos bens da congregação, também o órgão foi posto em hasta pública, sendo arrematado pelo Dr. Romano de Santa Clara, que o conservou numa dependência do extinto convento. Em 1921 ofereceu-o à confraria de Santa Clara, a fim de ser novamente posto ao serviço religioso daquele templo. Foram então encarregados de proceder à sua “reparação”, em Outubro de 1923, os músicos César R. Nascimento e Guilherme H. Lino que a terminaram em Novembro do ano seguinte.

 

Achando-se durante vários anos silenciado e muito estragado, em 1996, este instrumento, de notável valor histórico, foi então sujeito a uma intervenção profunda e com critérios baseados em factos ligados à arte da organaria da época que identifica o instrumento, desta vez por parte de Dinarte Machado, tendo ficado concluída em 2001. O estado em que se encontrava, considerado completamente desconfigurado, exigiu um profundo e rigoroso estudo para se chegar às conclusões que definiram o restauro actual. Neste âmbito, foi um trabalho revestido de grande critério e exigência imposto desde o início por Dinarte Machado.


Manual (C, D, E, F, G, A, Bb-c’’’) 
Principale (c#’-c’’’)
Ottava (4’)
Quintadecima (2´)
Decimanona (1 1/3´)
Vigesimaseconda e Trigesimasesta
Flauto 8’
Flauto 4’
Cornetto (c#’-c’’’)