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   Programa   

Sexta-Feira, 25 de Outubro, 21h30
Igreja de São Martinho

Harmonies of Dust and Space - Órgão, electrónica e expressão corporal
Eva Darracq, órgão
Carole Garriga, expressão corporal


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Harmonias da Terra e do Espaço – Explorando os Elementos

 


Terra

 

Ton Bruynel (1934-1998)
Dust (1992)

 

Philippe Andeol (1973)
HeiRc.S (2019)

 


Espaço/Ar

 

György Ligeti (1923-2006)
Harmonies (versão 2019)

 


Água

 

Eva Darracq (1975), Paul Husky (1983) e Nathalie Aguer (1977)
Derive Island para órgão, dança e electrónica ao vivo *

 


Fogo

 

Christophe Robert (1980)
Flame Heath (Brünhilde's sleep), para órgão e electrónica *

 


Eva Darracq, órgão
Carole Garriga, expressão corporal
Nathalie Aguer, electrónica


* – Estreia absoluta

 

 

 

Harmonies e Dust têm em comum a busca de compositores para «desnaturar» o som do órgão, enfraquecer o vento para desmantelar qualquer expectativa de um som grandioso, enchendo as naves das catedrais. Os compositores, obviamente com diferentes motivações, procuram um vento enfraquecido, um som instável e, portanto, prestam homenagem ao movimento, à instabilidade e ao efémero. O único parâmetro estrutural activo em Harmonies (1967) de György Ligeti é a cor do som. A música é percebida mais no sentido espacial do que no sentido temporal. O título refere-se a espaços sonoros estacionários de diferentes tamanhos. Eva Darracq criou uma versão contemporânea desta obra, dobrando a sua interpretação ao vivo com uma gravação, feita por ela mesma no mesmo órgão, usando outra registação. Isto permite uma nova escuta e uma amplificação da percepção do espaço. Também permite tocar num pequeno órgão com muito poucos registos e timbres.

 

Ton Bruynèl é um dos pioneiros no campo da electroacústica. A sua peça Dust (poeira) foi inspirada pelos clusters acidentais de meio tom produzidos ao limpar as teclas do piano. No dizer do autor, esta peça «deve ser executada num órgão pequeno e suave, no qual o sopro do órgão se mistura com as notas temperadas do teclado e com os quartos e oitavos de tomda banda sonora».

 

Philippe Andéol é marinheiro de profissão. Iniciado no órgão por Monique Assim, praticou desde então como amador apaixonado. Bordéus torna-se no novo porto de origem em 2016. Prossegue a sua aprendizagem com Eva Darracq e na classe de composição eletroacústica do Conservatório de Bordeaux. A sua obra HeiRc.S é uma homenagem aos compositores minimalistas do século XX, um estudo dos seus primeiros trabalhos (incluindo os de Eliane Radigue e Steve Reich.

 

Nathalie Aguer é compositora de música acústica. Depois de obter o diploma de eletroacústica no Conservatório de Música de Bordéus em 2017 (Prix Sacem), ela continua sua pesquisa no SCRIME como parte dos ciclos «Artes e Ciências». Membro activo do grupo Octandre, as suas peças são tocadas regularmente em concertos e transmitidas na rádio. Actualmente, desenvolve um projeto em torno do órgão e da electrónica e é membro do grupo kollektiv whale.

 

Paul Husky trabalha com vários media – música instrumental, electrónica e vídeo – que procura harmonizar. A sua carreira inclui uma prática de piano clássico, desenho e alvenaria artística, estudos de cinema, história da arte, assim como Composição no Conservatório de Música de Bordéus. Christophe Robert, depois de estudar no Conservatório de Bordéus na classe de Órgão (François Espinasse e Eva Darracq), obteve um diploma em composição e outro em Composição Eletroacústica. As suas principais preocupações são criação generativa, espaço sonoro e uma sensibilidade acentuada às artes visuais, o que o levou a colaborar com artistas visuais.

 

Composta para órgão e electrónica, Flame Heath é inspirada numa página do Flower Book do pintor inglês Edward Burne Jones. Nesta série de miniaturas, o artista pré-rafaelita é inspirado pelo nome de certas flores para nelas encontrar uma ilustração mitológica. A astronoma, em inglês de flame heath (charneca de fogo), dá origem à visão de Brünhilde adormecida por um feitiço de seu pai Wotan e cercada por chamas.

 

Derive Island foi criada especialmente para o Festival de Órgão da Madeira. Inspirada na descoberta da ilha, especialmente no nível dos elementos: a embarcação que é o órgão, movimentos da água, deriva, planos sobrepostos, navegação no e para o desconhecido... As rotas nem sempre levam até lá, onde imaginamos!


Eva Darracq

  Participantes  

Sexta-Feira, 25 de Outubro, 21h30
Igreja de São Martinho

Harmonies of Dust and Space - Órgão, electrónica e expressão corporal
Eva Darracq, órgão
Carole Garriga, expressão corporal


 

 

 

 

Eva Darracq

 

Eva Darracq-Antesberger efectuou os seus estudos de Piano e Órgão em Viena com Alfred Mittelhofer e Michaël Radulescu e em Paris com Michel Bouvard e Olivier Latry. Diplomada em Órgão, Piano e Pedagogia Instrumental em 1998, obtém a sua Maîtrise des Arts em 2002, com o louvor do júri. Desde sempre dedicada à música contemporânea e à criação, colaborou com compositores, bailarinos, comediantes e dispositivos electrónicos, com o INA/GRM e o IRCAM, em festivais em Viena, Zurique, Paris e Tóquio. Em busca de novos caminhos e de uma verdadeira visão de futuro para o órgão, trabalhou em residência na Fundação Royaumont, no âmbito do projecto de criação MAO, nomeadamente com Kasper Toeplitz e Myriam Gourfink. O seu trabalho foi recompensado com prémios e bolsas e o seu projecto de improvisação obteve o Prémio da Música 2001 na Áustria. A sua peça Organica1 para órgão e expressão corporal foi estreada em Tóquio em 2012 com Carole Garriga. Em 2015, ArteFact para video-mapping, órgão e electrónica foi estrada em Bordéus (Saint Michel) por Eva Darracq, Joanie Lemercier e Damien Schneider. Enquanto concertista, tem sido convidada por festivais na Europa e no resto do mundo, dando também masterclasses. Desde 2014, tem-se apresentado em duo com o organista Klaus Kuchling. Eva Darracq é professora de Órgão no Conservatório Regional de Música de Bordéus e titular do órgão Pesce da Igreja de Saint Augustin na mesma cidade.

 

 

Carole Garriga

 

Carole Garriga formou-se em Dança Contemporânea no Conservatório Regional de Lyon. No decurso de uma reconstituição de Ice de Caroline Carlson, descobre a «notação Laban» – um sistema de notação para registar e analisar o movimento humano, que deriva do trabalho de Rudolf Laban – o que a leva a formar-se em Cinematografia Laban no Conservatório Nacional Superior de Música e Dança de Paris. Participou em estágios sobre a dança e os seus símbolos, e trabalha numa abordagem do símbolo Laban junto de crianças, assim como na reconstituição de obras coreográficas. Actuou com Cindy van Hacker, Kaspar Toeplitz, Odile Duboc e Josette Baiz. EM 2012, colaborou com Eva Darracq num projecto de dança e órgão, apresentado em Tóquio e, mais tarde, em Toulouse. Efectuou um trabalho de pesquisa em notação com Myriam Gourfink, para quem é intérprete desde 2000. Descobre o yoga e a energia que influi na sua pesquisa corporal e conhece Véronique Weil, com quem colabora nos seus ateliers. Desenvolve diversas actividades em escolas (pré-primário, primário, básico e secundário), assim como em centros hoapitalares e junto de pessoas idosas. Assiste Myriam Gourfink na pesquisa em jardins e hortas para o projecto Étale.

 

   Notas ao Orgão   

Sexta-Feira, 25 de Outubro, 21h30
Igreja de São Martinho

Harmonies of Dust and Space - Órgão, electrónica e expressão corporal
Eva Darracq, órgão
Carole Garriga, expressão corporal


 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Igreja de São Martinho (Funchal)

A referência documental mais antiga que conseguimos encontrar relativamente à existência de um órgão de tubos na Igreja Paroquial de São Martinho remonta a 1806. De acordo com um registo lançado pelo tesoureiro da Confraria de Nossa Senhora do Rosário, foi contratado, em 1806, um organista para afinar o órgão, verificando-se outras informações mais tardias relacionadas com intervenções de manutenção.

 

No registo da despesa do ano de 1862, lançada no Livro da Fábrica (1834-1877), o Vigário José Rodrigues de Almada anotava a quantia de 200.000 réis para pagamento do órgão novo, especificando que 150.000 réis foram aplicados pela Fábrica da Igreja, 40.000 réis transitaram do valor que foi pago sobre o antigo órgão e 10.000 réis foram oferecidos, perfazendo assim o preço real do instrumento.

 

Através desta fonte não foi possível determinar em que condições o seu transporte foi efectuado, nem mesmo onde foi adquirido. O certo é que, em 1863, o órgão encontrava-se já na igreja, pois, nesse mesmo ano, o Padre João G. de Noronha era contratado para afinar o referido instrumento, recebendo pelo seu trabalho 2.000 réis. 

 

Verificada a transferência da paróquia para a nova igreja, sagrada em 1918, o órgão foi então levado para o novo templo, onde funcionou até 1934. Conforme os registos encontrados no Livro da Fábrica (1877-1954), o órgão foi objecto de sucessivas intervenções de manutenção, sendo as intervenções mais dispendiosas realizadas em 1879 (pagamento de 38.000 réis a Nuno Rodrigues) e, em particular, em 1916, pela circunstância de se encontrar muito desafinado e com várias deficiências técnicas.

 

Enquanto instrumento de acompanhamento e dignificação das celebrações religiosas, o órgão da Igreja de São Martinho terá participado nas diversas solenidades, tendo em 1917 sido registado no Livro da Fábrica uma receita de 10$700 “proveniente da contribuição do órgão nos festejos”.


Manual (GG, AA, C-f´´´)
Stop Diapason Bass (Sol1-si)
Stop Diapason Treble (dó1-fá3)
Principal
Flute
Dulciana