Programa Catálogo Galeria Informações Úteis

   Programa   

Quinta-feira, 24 de Outubro, 21h30
Igreja de São João Evangelista (Colégio)

O órgão no século XXI
António Esteireiro, órgão


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Denis Bédard (1950)
Variations on “Christus vincit” (2003)

 

João Vaz (1963)
Tema e variações para um órgão

histórico português (2010)

 

Bernhard Blitsch (1965)
Trumpet Tune (2012)

 

George Baker (1951)
Prière Grégorienne (2018)

 

Peter Planyavsky (1947)
Partita sopra Cantio Oenipontana (2007)

 

Martin Stacey (1975)
Icarus [2004] (9’)

 

António Esteireiro (1971)
Improvisação sobre um tema dado

 

 

A escrita de repertório original para órgão no século XXI continua a ser elaborada maioritariamente por compositores-intérpretes. O conhecimento profundo que os intérpretes têm do instrumento para o qual escrevem é inversamente proporcional a um certo afastamento da maioria dos compositores em relação ao órgão. O repertório escolhido para este concerto proporciona uma pequena viagem musical por vários países, apresentando correntes estéticas bastante variadas e de sonoridades diferenciadas que colocam em evidência a paleta sonora do instrumento da igreja do Colégio. A melodia Christus vincit é uma das mais conhecidas e executadas do repertório litúrgico internacional, sendo as variações do compositor canadiano Denis Bédard bastante populares pela facilidade na identificação melódica no decorrer da obra. O Tema e variações de João Vaz (construído sobre uma melodia modal original) faz uso das sonoridades típicas dos órgãos portugueses do final do século XVIII. A obra Trumpet Tune do compositor alemão Bernhard Blitsch foi escrita para o órgão da Catedral de Colónia. Como o seu título sugere, a obra é inspirada nos Trumpet Tunes ingleses e na respetiva utilização dos registos solísticos de palheta com elevada pressão. O compositor norte-americano George Baker dedicou a sua Prière Grégorienne a Stephen Tharp, organista norte-americano também presente neste festival, tendo a obra sido estreada na Catedral de Notre-Dame de Paris. Baker cita sete melodias gregorianas, Regina caeli, Salve regina na versão moderna e monástica, Dies irae, Te Deum, Ubi caritas e Ave maris stella, envoltas em harmonias típicas da tradição impressionista francesa. A Partita sopra Cantio Oenipontana do compositor austríaco Peter Planyavsky é inspirada numa melodia da cidade de Innsbruck, cuja designação latina é Oenipons. A estrutura da partita segue o modelo de tema e variações típico do barroco alemão, sendo assumida pelo compositor, a influência das partitas de Johann Gottfried Walther (1684-1748) na sua construção. A mitologia grega inspirou obviamente Martin Stacey na composição de Icarus e a obra segue os vários passos do mito de Ícaro de forma bastante descritiva. As asas de cera construídas por Ícaro e o seu pai Dédalo permitiram-lhe a liberdade de voar. Contudo, ao não respeitar os avisos de seu pai para que ao voar não voasse em direção ao sol, estas também acabariam por lhe provocar a morte. A improvisação continua a ser um elemento fundamental na praxis litúrgica de qualquer organista. A necessidade de criar momentos musicais de duração adequada aos ritos e cerimónias eclesiais acompanha a história da música litúrgica ocidental. Em contexto de concerto é possível explorar de forma ainda mais livre as potencialidades de criar música original em tempo real.


António Esteireiro

  Participantes  

Quinta-feira, 24 de Outubro, 21h30
Igreja de São João Evangelista (Colégio)

O órgão no século XXI
António Esteireiro, órgão


António Esteireiro

 

Natural de Lisboa, António Manuel Esteireiro é licenciado em Órgão pela Escola Superior de Música e Teatro de Munique, e em Música Sacra pela Escola Superior de Música Sacra de Regensburg (Órgão e Improvisação com Franz Josef Stoiber). Tais estudos só foram possíveis com o apoio da Diocese de Regensburg e da Fundação Geiselberg de Munique. Posteriormente frequenta a classe de Órgão de Hans-Ola Ericsson na Escola Superior de Música de Bremen. Tem realizado concertos tanto como solista, como integrado em várias formações corais e orquestrais, em vários países europeus, México e Brasil. Além de convidado regular dos principais ciclos de concertos e festivais de órgão nacionais, coordenou também os Ciclos de Concertos de Órgão na Basílica dos Mártires em Lisboa, e a Integral da Obra para Órgão de Olivier Messiaen, apresentada na Sé Patriarcal de Lisboa, por ocasião das comemorações do centenário deste compositor. Professor de Órgão nos Cursos Nacionais de Música Litúrgica organizados pelo Santuário de Fátima em colaboração com o Secretariado Nacional de Liturgia, é também colaborador regular do Serviço de Música Sacra da Paróquia de Santa Maria de Belém. No âmbito desta colaboração assumiu também a programação dos Ciclos de Concertos de Órgão no Mosteiro dos Jerónimos. Actualmente lecciona no Instituto Gregoriano e na Escola Superior de Música de Lisboa as disciplinas de Órgão e Improvisação.

 

   Notas ao Orgão   

Quinta-feira, 24 de Outubro, 21h30
Igreja de São João Evangelista (Colégio)

O órgão no século XXI
António Esteireiro, órgão


 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Igreja de São João Evangelista (Colégio), Funchal

 

Este instrumento, com os seus 1586 tubos sonoros, integra-se num espaço sagrado de características bem particulares. Tratando-se de uma igreja de arquitectura típica dos colégios jesuítas, com uma nave de admirável amplitude e com acústica bastante amena, o órgão tinha de ser concebido, especialmente no que diz respeito às medidas dos tubos, com cuidado muito especial e singular. Assim, toda a tubaria deste instrumento, talhada em medidas largas, ecoa com intensa profundidade, e cada registo emite uma sonoridade com personalidade própria, fazendo parte de um conjunto harmónico mais baseado em sons fundamentais e menos em timbres resultantes dos harmónicos. Entendeu-se que seria indispensável doar este instrumento de uma certa “latinidade” sonora capaz de favorecer a execução de música antiga das escolas italiana, espanhola e portuguesa dos séculos XVII e XVIII.

 

Outro aspecto tomado em conta foi a necessidade de complementar o panorama organístico actual e local: o novo grande órgão presta-se, de uma forma ideal, para a realização de obras de épocas e de exigências técnico-artísticas para as quais nenhum dos 24 instrumentos históricos da Madeira oferece as condições adequadas, valorizando, para além disso, o conjunto do património organístico da Ilha da Madeira através da sua própria existência neste particular espaço sagrado, bem como por meio da sua convivência com os espécimes históricos. Na própria decisão de o colocar na Igreja do Colégio foram tomados em conta não apenas o espaço acústico, estético e litúrgico, mas também o facto de nele existir um importante órgão histórico que faz parte do rol dos instrumentos actualmente em via de serem restaurados.


I Manual - Órgão Principal (C-g’’’)
Flautado aberto de 12 palmos (8’)
Flautado tapado de 12 palmos (8’)
Oitava real (4’)
Tapado de 6 palmos (4’)
Quinzena (2’)
Dezanovena e 22ª
Mistura III
Corneta IV
Trompa de batalha* (mão esquerda)
Clarim* (mão direita)
Fagote* (mão esquerda)
Clarineta* (mão direita)

II Manual - Órgão Positivo (C-g’’’)
Flautado aberto de 12 palmos (8’)
Tapado de 12 palmos (8’)
Flautado aberto de 6 palmos (4’)
Dozena (2 2/3’)
Quinzena (2’)
Dezassetena (1 3/5’)
Dezanovena (1 1/3)
Címbala III
Trompa real (8’)

Pedal (C-f’)
Tapado de 24 palmos (16’)
Bordão de 12 palmos (8’)
Flautado de 6 palmos (4’)
Contrafagote de 24 palmos (16’)
Trompa de 12 palmos (8’)

Acoplamentos
II/I
I/Pedal
II/Pedal
* palhetas horizontais