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   Programa   

Terça-feira, 22 de Outubro, 21h30
Igreja de São João Evangelista (Colégio)

A arte da transcrição
Yves Rechsteiner, órgão


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Órgão de coro

 

Sebastián de Albero (1722-1756)
Prelúdio e fuga Prelude and fugue

 


Grande órgão

 

Johann Sebastian Bach (1685-1750)
Partita III, BWV 1006, para violino solo
Preludio
Loure
Gavotte
Menuet I et II
Bourrée
Gigue

 

Jean-Philippe Rameau (1683-1764)
Suite em ré
Entrée
Menuet
Air pour les Fleurs
Air «Tendres amours»
Rigaudon12

 

Domenico Scarlatti (1685-1757)
Sonate en sol, fuga, K 30
Sonate en sol, andante K 144
Sonate en sol, allegro K 119

 

Jean-Philippe Rameau
Suite en la
Sarabande
Tambourins
Air tendre
Gavotte

 

Johann Sebastian Bach
Chaconne
(Partita I, BWV 1004, para violino solo)

 


Todas as transcrições e arranjos são da autoria de Yves Rechsteiner

 

 

Este programa presta homenagem a três grandes organistas e compositores do século XVIII de três tradições musicais; França, Alemanha e Itália. Quase todas as obras apresentadas neste concerto são arranjos de peças escritas originalmente para outros instrumentos. Aqui estão algumas explicações.

 

Jean-Philippe Rameau, conhecido por ser o compositor de ópera mais importante da França no século XVIII, começou a sua carreira de músico como organista em diferentes catedrais. No entanto, não compôs nenhuma obra para órgão. A partir do estudo da sua música de cravo e o estilo dos organistas franceses da época, fiz arranjos de algumas das passagens mais famosas das suas óperas. Essa prática já existia na época, pois sabemos que seu aluno Claude Balbastre tocava arranjos das peças de Rameau no órgão do Concert Spirituel, a primeira sala de concertos em Paris no século XVIII.

 

Domenico Scarlatti era um virtuoso do cravo. Numa disputa com Haendel ao órgão e ao cravo, o público declarou Scarlatti melhor cravista e Handel melhor organista. Apesar de algumas sonatas que parecem ter sido escritas para órgãos de câmara, Scarlatti não escreveu nada para um grande órgão da igreja. No entanto, seu estilo é adequado às possibilidades sonoras do órgão ibérico e também vemos a influência de Scarlatti na música organística de José Lidon, organista da capela Real de Madrid, bem como a de Sebastian Albero, uma figura particularmente original da época.

 

Johann Sebastian Bach é sem dúvida o compositor de órgão mais importante de todos os tempos. No entanto, tenho-me interessado ao longo de vários anos pelas sonatas e partitas que Bach escreveu para violino solo, e, de facto, sabemos que ele mesmo as tocou ao teclado Temos a sorte de ter mantido alguns trechos desses arranjos feitos por Bach e eles serviram de modelo para o meu projecto Bach Metamorphosis 2020, uma versão para órgão que eu realizei de todas as sonatas e partitas para violino solo. Apresento aqui a bela Partita III, assim como a Chaconne da Parita I, uma das suas peças mais famosas, igualmente transcrita para piano por figuras como Busoni.


Yves Rechsteiner

  Participantes  

Terça-feira, 22 de Outubro, 21h30
Igreja de São João Evangelista (Colégio)

A arte da transcrição
Yves Rechsteiner, órgão


Yves Rechsteiner

 

Nascido na Suíça, Yves Rechsteiner formou-se em Órgão e Cravo em Genebra e na Schola Cantorum Basiliensis. Laureado em vários concursos internacionais, ensina desde 1995 a arte do acompanhamento da música barroca ao teclado, no Conservatório Nacional de Música e Dança de Lyon, onde também dirigiu o departamento de Música Antiga. Envolvido numa reflexão sobre a música de órgão, concebe programas de concerto com os seus próprios arranjos de obras, tanto barrocas, clássicas e sinfónicas, como de rock: Rameau, Bach, Haydn, Mozart, Berlioz, Frank Zappa ou Mike Oldfield. Toca, desd e2005, em duo com o percussionista Henri-Charles Caget e em trio com o guitarrista Fred Maurin. Apreciador de encontros musicais variados, colabora com músicos vindos de diversos universos musicais (tradicional, jazz, clássico, barroco). Desde 2014, dirige o festival «Toulouse les Orgues», onde impulsiona uma abertura do festival a todos os estilos musicais, incluindo a música actual ou electrónica.

 

   Notas ao Orgão   

Terça-feira, 22 de Outubro, 21h30
Igreja de São João Evangelista (Colégio)

A arte da transcrição
Yves Rechsteiner, órgão


 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Igreja de São João Evangelista (Colégio), Funchal

 

Este instrumento, com os seus 1586 tubos sonoros, integra-se num espaço sagrado de características bem particulares. Tratando-se de uma igreja de arquitectura típica dos colégios jesuítas, com uma nave de admirável amplitude e com acústica bastante amena, o órgão tinha de ser concebido, especialmente no que diz respeito às medidas dos tubos, com cuidado muito especial e singular. Assim, toda a tubaria deste instrumento, talhada em medidas largas, ecoa com intensa profundidade, e cada registo emite uma sonoridade com personalidade própria, fazendo parte de um conjunto harmónico mais baseado em sons fundamentais e menos em timbres resultantes dos harmónicos. Entendeu-se que seria indispensável doar este instrumento de uma certa “latinidade” sonora capaz de favorecer a execução de música antiga das escolas italiana, espanhola e portuguesa dos séculos XVII e XVIII.

 

Outro aspecto tomado em conta foi a necessidade de complementar o panorama organístico actual e local: o novo grande órgão presta-se, de uma forma ideal, para a realização de obras de épocas e de exigências técnico-artísticas para as quais nenhum dos 24 instrumentos históricos da Madeira oferece as condições adequadas, valorizando, para além disso, o conjunto do património organístico da Ilha da Madeira através da sua própria existência neste particular espaço sagrado, bem como por meio da sua convivência com os espécimes históricos. Na própria decisão de o colocar na Igreja do Colégio foram tomados em conta não apenas o espaço acústico, estético e litúrgico, mas também o facto de nele existir um importante órgão histórico que faz parte do rol dos instrumentos actualmente em via de serem restaurados.


I Manual - Órgão Principal (C-g’’’)
Flautado aberto de 12 palmos (8’)
Flautado tapado de 12 palmos (8’)
Oitava real (4’)
Tapado de 6 palmos (4’)
Quinzena (2’)
Dezanovena e 22ª
Mistura III
Corneta IV
Trompa de batalha* (mão esquerda)
Clarim* (mão direita)
Fagote* (mão esquerda)
Clarineta* (mão direita)

II Manual - Órgão Positivo (C-g’’’)
Flautado aberto de 12 palmos (8’)
Tapado de 12 palmos (8’)
Flautado aberto de 6 palmos (4’)
Dozena (2 2/3’)
Quinzena (2’)
Dezassetena (1 3/5’)
Dezanovena (1 1/3)
Címbala III
Trompa real (8’)

Pedal (C-f’)
Tapado de 24 palmos (16’)
Bordão de 12 palmos (8’)
Flautado de 6 palmos (4’)
Contrafagote de 24 palmos (16’)
Trompa de 12 palmos (8’)

Acoplamentos
II/I
I/Pedal
II/Pedal
* palhetas horizontais