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   Programa   

Domingo, 20 de Outubro, 18h00
Igreja de Nossa Senhora da Luz
(Matriz da Ponta do Sol)

Ave maris stella - Maria, a Estrela do Mar
Mediae Vox Ensemble
Maria Bayley, órgão e órgão portativo
Filipa Taipina, direção


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Canto Gregoriano / Anónimos (séc. XV)
Ave Maris Stella
(Antiphonale monasticum e Codex Faenza)
Antiphona ad Magnificat / Magnificat primi toni
(Antiphonale monasticum e Codex Perugia)
Salve Regina
(Antiphonale monasticum e Codex Trento)
Benedicamus Domino
(Antiphonale monasticum e Codex Faenza)

 

Jacopo da Bologna (1340-1386)
Soto l’impero del posente prinçe

 

Guillaume Dufay (1400-1474)
Ave Maris Stella

 

Hildegard von Bingen (1098-1179)
Ave, Maria auctrix

 

Oswald von Wolkenstein (1375-1457)
Ave Mater

 

 

 

A devoção à Virgem Maria é umas das temáticas mais exploradas desde o final da Idade Média.  A designação de Maria como «Estrela do Mar» remonta ao século IX, tendo sido adoptada como protectora e guia de quem viaja por mar e de quem vive nas zonas costeiras. Pensa-se que a expressão stella maris foi usada pela primeira vez por Pascasius Radbertus (785-865), teólogo e abade de Corbie, no século IX. Pascasius descreve Maria, de forma simbólica, como guia no caminho de Cristo e como forma de não naufragar durante as tempestades e as ondas da vida. 

 

Ave maris stellam, em português «salve, estrela do mar», é um hino de devoção mariana provavelmente escrito durante o século IX. No entanto, este só aparece documentado no século X em adição à margem em dois manuscritos do século IX, um manuscrito de Salzburgo, que se encontra em Viena na Áustria, e outro da Abadia de Saint Gall na Suíça. Este hino foi especialmente popular durante a Idade Média mas tem sido utilizado por muitos compositores ao longo da história da música. De Dufay (c.1397-1474) a Peter Maxwell Davies (1934-2016), foi usado como base para as mais diversas composições. 

 

Neste concerto daremos primazia ao alternatim, palavra latina para alternância, uma das técnicas interpretativas litúrgico-musicais da igreja Católica Romana desenvolvida a partir do fim da Idade Média. Neste repertório litúrgico as rubricas estão dividas em versos e cada verso é interpretado antifonalmente por dois grupos de cantores, entre dois grupos de cantores, entre solista e coro ou até mesmo entre coro e assembleia. O alternatim era usado não só nas rubricas do Ordinário e Próprio da missa, mas também em hinos, no canto do Magnificat, no canto dos salmos e de antífonas entre outros tipos de peças. Com o tempo esta alternância passou a ser feita entre coro e grupos de instrumentos, ou instrumento, nomeadamente o órgão, considerado o instrumento litúrgico por excelência. Esta prática foi de tal forma um êxito que o verso se transformou num género do repertório musical predominante na música renascentista e barroca, principalmente em Itália e na Península Ibérica.

 

Rodeados pelo oceano atlântico, teremos como fio condutor o tema Ave Maris Stellam que do Canto Gregoriano a Dufay passando por Hildegard von Bingen e peças provenientes dos códices de Faenza, Perugia e São Marcos de Veneza, nos guiará pela música para voz e tecla, composta ou interpretada durante o Século XV.


Filipa Taipina

  Participantes  

Domingo, 20 de Outubro, 18h00
Igreja de Nossa Senhora da Luz
(Matriz da Ponta do Sol)

Ave maris stella - Maria, a Estrela do Mar
Mediae Vox Ensemble
Maria Bayley, órgão e órgão portativo
Filipa Taipina, direção


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mediae Vox Ensemble
 
Formado em Junho de 2004, o Mediae Vox Ensemble tem como objectivo o estudo e a interpretação da música sacra medieval. As suas interpretações têm exclusivamente por base e suporte os manuscritos e as notações originais. O Mediae Vox Ensemble realizou o seu primeiro concerto a 15 de Setembro de 2005 no Convento de S. Paulo na Serra d’Ossa. Desde essa data realizou concertos em Portugal e no estrangeiro nos mais diversos festivais de música e de música antiga como por exemplo: Festival MusicAtlântico; Festival de Música Medieval de Carrazeda de Ansiães; Ciclo de Músicas Religiosas de Santander; Festival Internacional de Castelo Branco; Ciclo de Música Sacra da Igreja Românica de Rates; Festival de Música de Alcobaça – Cistermúsica; Jornadas Medievais do Castelo de Sesimbra; Jornadas de Música Antiga de Loulé; Festival Sonidos en el Tiempo e  Festival Laus Polyphoniae em Antuérpia. O Mediae Vox Ensemble tem realizado primeiras audições, na era moderna, de repertório medieval e tem concertos agendados para 2019 e 2020 tanto em festivais de música antiga em Portugal como no estrangeiro.


Neste concerto o grupo é constituído pelas cantoras e instrumentistas Esperanza Mara Filgueras, Mariana Moldão, Filipa Taipina que tem também a seu cargo a investigação e direcção musical. O Mediae Vox utiliza réplicas de instrumentos da Idade Média construídas por Giordano Ceccotti, Mario Buonoconto, Marco Casiraghi e Stefan Keppler.

 

 

Maria Bayley

 

Começou os estudos musicais no Instituto Gregoriano de Lisboa, estudando cravo com Cristiano Holtz. Licenciou-se em cravo no Conservatório Real de Haia com Jacques Ogg. Obteve o mestrado em teclados medievais e renascentistas na Schola Cantorum Basiliensis com Corina Marti, e em canto (especialidade de ensemble de música antiga) no Conservatório de Tilburg. Estudou harpa barroca como segundo instrumento em ambos mestrados, com Emma Huijsser e Heindrun Rosenzweig. Obteve o primeiro prémio no concurso de cravo Carlos Seixas (2005), no Concurso Nacional de Cravo (2008) e no prémio JIMA (2012). Com o ensemble Heptachordum obteve o primeiro lugar na categoria de ensemble barroco no Prémio Jovens Músicos (2012). Colabora frequentemente com o Bach Koor Holland e os ensembles La Academia de los Nocturnos, Palma Choralis e Cantores Sancti Gregorii. É vice-directora da associação Ars Hispana, dedicada à investigação e edição de música espanhola. Fundou o ensemble Ars Lusitana em 2011, dedicado à interpretação de repertório maioritariamente português. É também membro fundador do Ensemble 258, dedicado à performance de música Barroca. Obteve o mestrado em teoria da música antiga no Conservatório Real de Haia, tendo completado o estágio para este programa na Escola Superior de Música de Lisboa, onde teve a oportunidade de trabalhar com a professora Ana Mafalda Castro.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Filipa Taipina
 
Nascida em Lisboa, Filipa Taipina é Doutorada pelo Pontificio Istituto di Musica Sacra em Roma. Iniciou os seus estudos musicais no Instituto Gregoriano de Lisboa, onde frequentou o Curso Geral de Canto Gregoriano. Em 1990 ingressou na Escola Superior de Música de Lisboa onde concluiu Bacharelato e a Licenciatura em Canto Gregoriano. É membro do CESEM - Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical da Universidade Nova de Lisboa. Desenvolveu a sua actividade como docente entre 1990 e 2015, tendo leccionado no Conservatório Regional de Tomar, no Conservatório Regional de Évora, na Academia de Música Eborense e no Conservatório Regional Silva Marques onde foi Directora Pedagógica e responsável pelo Curso Geral de Canto Gregoriano. Em Junho de 2004 formou o Mediae Vox Ensemble. Desde 1994 que é membro da AISCGRE – Associazione Internazionale Studi di Canto Gregoriano. Fez parte do Laboratorio Internazionali Permanente di Musica Sacra em Parma e foi fundadora da Schola Gregoriana Internazionale dirigida por Alessandro De Lillo. Realizou várias conferências em Portugal e Itália sob o tema: “Hildegard von Bingen – A mulher a Abadia e o Poder”; “Hildegard von Bingen - Uma mulher fora do seu tempo” e sob temas de música sacra da Idade Média, nomeadamente sobre o Gradual de Lorvão 15, do fundo do mosteiro do Lorvão, tema da sua tese de doutoramento.

 

   Notas ao Orgão   

Domingo, 20 de Outubro, 18h00
Igreja de Nossa Senhora da Luz
(Matriz da Ponta do Sol)

Ave maris stella - Maria, a Estrela do Mar
Mediae Vox Ensemble
Maria Bayley, órgão e órgão portativo
Filipa Taipina, direção


 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Igreja da Nossa Senhora da Luz (Ponta do Sol)

 

Este instrumento é um órgão positivo de armário e encontra-se instalado no coro alto. O seu autor foi o organeiro João da Cunha (n. 1712 - m. 1762) que o construiu no ano de 1761, em Lisboa, conforme consta da inscrição no interior do secreto. João da Cunha, natural de Lisboa, era pai de Leandro José da Cunha (n. 1743 - m. após 1805), construtor do órgão positivo da Igreja do Recolhimento do Bom Jesus, no Funchal. Tendo sofrido algumas intervenções de menor importância, o instrumento manteve em grande parte o seu carácter original e foi restaurado em 2005-06 por Dinarte Machado que lhe restituiu o diapasão e o temperamento original, bem como o sistema primitivo  da alimentação do ar.

 

 

Manual (C, D, E, F, G, A-d’’’) 
Flautado tapado de 6 palmos (4’)
Quinzena (2’)
Dezanovena (1 1/3’)
Vintedozena (1’)
Sesquialtera de II