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   Programa   

Sábado, 19 de Outubro, 20h30
Igreja de Nossa Senhora da Piedade
(Matriz do Porto Santo)

Ave maris stella - Maria, a Estrela do Mar
Mediae Vox Ensemble
Maria Bayley, órgão e órgão portativo
Filipa Taipina, direção


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Canto Gregoriano / Anónimos (séc. XV)
Ave Maris Stella
(Antiphonale monasticum e Codex Faenza)
Antiphona ad Magnificat / Magnificat primi toni
(Antiphonale monasticum e Codex Perugia)
Salve Regina
(Antiphonale monasticum e Codex Trento)
Benedicamus Domino
(Antiphonale monasticum e Codex Faenza)

 

Jacopo da Bologna (1340-1386)
Soto l’impero del posente prinçe

 

Guillaume Dufay (1400-1474)
Ave Maris Stella

 

Hildegard von Bingen (1098-1179)
Ave, Maria auctrix

 

Oswald von Wolkenstein (1375-1457)
Ave Mater

 

 

 

A devoção à Virgem Maria é umas das temáticas mais exploradas desde o final da Idade Média.  A designação de Maria como «Estrela do Mar» remonta ao século IX, tendo sido adoptada como protectora e guia de quem viaja por mar e de quem vive nas zonas costeiras. Pensa-se que a expressão stella maris foi usada pela primeira vez por Pascasius Radbertus (785-865), teólogo e abade de Corbie, no século IX. Pascasius descreve Maria, de forma simbólica, como guia no caminho de Cristo e como forma de não naufragar durante as tempestades e as ondas da vida. 

 

Ave maris stellam, em português «salve, estrela do mar», é um hino de devoção mariana provavelmente escrito durante o século IX. No entanto, este só aparece documentado no século X em adição à margem em dois manuscritos do século IX, um manuscrito de Salzburgo, que se encontra em Viena na Áustria, e outro da Abadia de Saint Gall na Suíça. Este hino foi especialmente popular durante a Idade Média mas tem sido utilizado por muitos compositores ao longo da história da música. De Dufay (c.1397-1474) a Peter Maxwell Davies (1934-2016), foi usado como base para as mais diversas composições. 

 

Neste concerto daremos primazia ao alternatim, palavra latina para alternância, uma das técnicas interpretativas litúrgico-musicais da igreja Católica Romana desenvolvida a partir do fim da Idade Média. Neste repertório litúrgico as rubricas estão dividas em versos e cada verso é interpretado antifonalmente por dois grupos de cantores, entre dois grupos de cantores, entre solista e coro ou até mesmo entre coro e assembleia. O alternatim era usado não só nas rubricas do Ordinário e Próprio da missa, mas também em hinos, no canto do Magnificat, no canto dos salmos e de antífonas entre outros tipos de peças. Com o tempo esta alternância passou a ser feita entre coro e grupos de instrumentos, ou instrumento, nomeadamente o órgão, considerado o instrumento litúrgico por excelência. Esta prática foi de tal forma um êxito que o verso se transformou num género do repertório musical predominante na música renascentista e barroca, principalmente em Itália e na Península Ibérica.

 

Rodeados pelo oceano atlântico, teremos como fio condutor o tema Ave Maris Stellam que do Canto Gregoriano a Dufay passando por Hildegard von Bingen e peças provenientes dos códices de Faenza, Perugia e São Marcos de Veneza, nos guiará pela música para voz e tecla, composta ou interpretada durante o Século XV.


Filipa Taipina

  Participantes  

Sábado, 19 de Outubro, 20h30
Igreja de Nossa Senhora da Piedade
(Matriz do Porto Santo)

Ave maris stella - Maria, a Estrela do Mar
Mediae Vox Ensemble
Maria Bayley, órgão e órgão portativo
Filipa Taipina, direção



 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mediae Vox Ensemble
 
Formado em Junho de 2004, o Mediae Vox Ensemble tem como objectivo o estudo e a interpretação da música sacra medieval. As suas interpretações têm exclusivamente por base e suporte os manuscritos e as notações originais. O Mediae Vox Ensemble realizou o seu primeiro concerto a 15 de Setembro de 2005 no Convento de S. Paulo na Serra d’Ossa. Desde essa data realizou concertos em Portugal e no estrangeiro nos mais diversos festivais de música e de música antiga como por exemplo: Festival MusicAtlântico; Festival de Música Medieval de Carrazeda de Ansiães; Ciclo de Músicas Religiosas de Santander; Festival Internacional de Castelo Branco; Ciclo de Música Sacra da Igreja Românica de Rates; Festival de Música de Alcobaça – Cistermúsica; Jornadas Medievais do Castelo de Sesimbra; Jornadas de Música Antiga de Loulé; Festival Sonidos en el Tiempo e  Festival Laus Polyphoniae em Antuérpia. O Mediae Vox Ensemble tem realizado primeiras audições, na era moderna, de repertório medieval e tem concertos agendados para 2019 e 2020 tanto em festivais de música antiga em Portugal como no estrangeiro.


Neste concerto o grupo é constituído pelas cantoras e instrumentistas Esperanza Mara Filgueras, Mariana Moldão, Filipa Taipina que tem também a seu cargo a investigação e direcção musical. O Mediae Vox utiliza réplicas de instrumentos da Idade Média construídas por Giordano Ceccotti, Mario Buonoconto, Marco Casiraghi e Stefan Keppler.

 

 

Maria Bayley

 

Começou os estudos musicais no Instituto Gregoriano de Lisboa, estudando cravo com Cristiano Holtz. Licenciou-se em cravo no Conservatório Real de Haia com Jacques Ogg. Obteve o mestrado em teclados medievais e renascentistas na Schola Cantorum Basiliensis com Corina Marti, e em canto (especialidade de ensemble de música antiga) no Conservatório de Tilburg. Estudou harpa barroca como segundo instrumento em ambos mestrados, com Emma Huijsser e Heindrun Rosenzweig. Obteve o primeiro prémio no concurso de cravo Carlos Seixas (2005), no Concurso Nacional de Cravo (2008) e no prémio JIMA (2012). Com o ensemble Heptachordum obteve o primeiro lugar na categoria de ensemble barroco no Prémio Jovens Músicos (2012). Colabora frequentemente com o Bach Koor Holland e os ensembles La Academia de los Nocturnos, Palma Choralis e Cantores Sancti Gregorii. É vice-directora da associação Ars Hispana, dedicada à investigação e edição de música espanhola. Fundou o ensemble Ars Lusitana em 2011, dedicado à interpretação de repertório maioritariamente português. É também membro fundador do Ensemble 258, dedicado à performance de música Barroca. Obteve o mestrado em teoria da música antiga no Conservatório Real de Haia, tendo completado o estágio para este programa na Escola Superior de Música de Lisboa, onde teve a oportunidade de trabalhar com a professora Ana Mafalda Castro.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Filipa Taipina
 
Nascida em Lisboa, Filipa Taipina é Doutorada pelo Pontificio Istituto di Musica Sacra em Roma. Iniciou os seus estudos musicais no Instituto Gregoriano de Lisboa, onde frequentou o Curso Geral de Canto Gregoriano. Em 1990 ingressou na Escola Superior de Música de Lisboa onde concluiu Bacharelato e a Licenciatura em Canto Gregoriano. É membro do CESEM - Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical da Universidade Nova de Lisboa. Desenvolveu a sua actividade como docente entre 1990 e 2015, tendo leccionado no Conservatório Regional de Tomar, no Conservatório Regional de Évora, na Academia de Música Eborense e no Conservatório Regional Silva Marques onde foi Directora Pedagógica e responsável pelo Curso Geral de Canto Gregoriano. Em Junho de 2004 formou o Mediae Vox Ensemble. Desde 1994 que é membro da AISCGRE – Associazione Internazionale Studi di Canto Gregoriano. Fez parte do Laboratorio Internazionali Permanente di Musica Sacra em Parma e foi fundadora da Schola Gregoriana Internazionale dirigida por Alessandro De Lillo. Realizou várias conferências em Portugal e Itália sob o tema: “Hildegard von Bingen – A mulher a Abadia e o Poder”; “Hildegard von Bingen - Uma mulher fora do seu tempo” e sob temas de música sacra da Idade Média, nomeadamente sobre o Gradual de Lorvão 15, do fundo do mosteiro do Lorvão, tema da sua tese de doutoramento.