Programa Catálogo Galeria Informações Úteis

   Programa   

Sexta-feira, 19 outubro, 21H30
Igreja de São João Evangelista (Colégio)

Johann Sebastian Bach

Matthias Havinga, órgão


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Uma vez que Bach escreveu a maior parte da sua obra para órgão com pedaleira, escolhi uma peça para cravo para ser tocada no órgão do coro. A Suite inglesa em sol menor foi escrita durante os anos que Bach passou em Weimar, quando trabalhava para o Duque de Sachsen-Weimar como organista. O duque tinha um grande entusiasmo pelo estilo moderno de concerto de Vivaldi, Marcello e compositores semelhantes. O Prelúdio da Suite faz referência a este estilo vivo. A Gavotteé uma dança em compasso binário e tempo moderado, com uma estrutura muito clara. Esta é interrompida por uma Musette, uma dança pastoral muito simples baseada no som de uma espécie francesa de gaita de foles. É facilmente reconhecível pelo bordão constante.


O Prelúdio em Dó maior, BWV 545, é uma obra curta e majestosa para órgão com um tema que desce até ao registo mais grave da pedaleira em grandes saltos. A fuga move-se por graus conjuntos, e continua com a atmosfera grandiosa do Prelúdio.


As Sonatas em trio de Bach são o ponto máximo do virtuosismo para o órgão, e o nível de técnica necessário para tocar a pedaleira não tem paralelo na época de Bach. Três vozes completamente independentes interagem numa maneira muito polifónica. O primeiro andamento é notável pelas suas muitas ideias – semicolcheias regulares, sextinas e um motivo rápido pontuado, tudo formando uma obra convincente. Um tema inicial muito galante traz um elemento mais ligeiro, enquanto um tema cromático mais sério (em meios-tons) forma um contrabalanço.


O prelúdio coral Nun danket alle Gott segue o modelo tradicional do prelúdio-coral alemão, com vozes acompanhantes antecipando a melodia, e a seguir a entrada poderosa do cantus firmus, apresentado sem qualquer ornamentação. Outro prelúdio coral, Allein Gott in der Höh sei Ehr, segue o mesmo padrão de antecipação, mas com uma melodia muito ricamente decorada. O acompanhamento contêm muitos ornamentos franceses num ritmo lombardo (curto-longo), criando uma atmosfera muito séria e emocionalmente introvertida. A maneira surpreendente e dramática como o coral acaba constitui outro testemunho da grandeza de Bach como compositor.


Para acabar, um dos maiores feitos de Bach para órgão, o grande Prelúdio e Fuga em Mi bemol maior. Nesta obra Bach junta muitos elementos diferentes, e diz-se que que se refere à Santíssima Trindade em muitas maneiras. No Prelúdio, o ritmo pontuado de uma abertura francesa representaria Deus Pai, e os acordes staccati galantes o Filho; uma fuga fogosa no estilo de um concerto italiano representa o Espírito Santo. O mesmo é verdade na Fuga, que começa com um tema grande em cinco vozes (o Pai), seguido por um tema vivo e fluido (o Filho) e conclui com um tema tripartido alegre a saltitante (o Espírito), sob o qual o primeiro tema (Deus Pai) volta no fim, assim simbolizando de novo a unidade destes três elementos.

 

Matthias Havinga

 

 

ÓRGÃO DE CORO


Johann Sebastian Bach
(1685-1750)

¬ Suite inglesa nº 3 BWV 808

        › Prelude
        › Gavotte

 

GRANDE ÓRGÃO


Johann Sebastian Bach

¬ Prelúdio e fuga em Dó maior BWV 545

¬ Sonata III em ré menor BWV 527                       

        › Andante
        › Adagio e dolce
        › Vivace             

¬ Prelúdio de coral
   «Nun danket alle Gott» BWV 657
    (a 2 Clav. et Ped, Canto fermo in soprano)

¬ Prelúdio de coral 
   «Allein Gott in der Höh sei Ehr» BWV 662
   (a 2 Clav. e Ped, Canto fermo in soprano, Adagio)

¬ Prelúdio e fuga em Mi bemol maior BWV 552

  Participantes  

Sexta-feira, 19 outubro, 21H30
Igreja de São João Evangelista (Colégio)

Johann Sebastian Bach

Matthias Havinga, órgão


Matthias Havinga

 

Matthias Havinga é organista de concerto e pianista. Graduou-se com um mestrado summa cum laude do Conservatório de Amesterdão, como aluno de Jacques van Oortmerssen, diplomando-se em piano da mesma instituição como aluno de Marcel Baudet. No Conservatório Real da Haia estudou música sacra com Jos van der Kooy. É Professor de Órgão no Conservatório de Amesterdão. Ganhou vários prémios em concursos internacionais de órgão e tem uma carreira internacional como concertista, apresentando-se em salas prestigiadas em toda a Europa, na Rússia, nos EUA e na América do Sul. Também tem dado concertos com coros e orquestras de renome como o Nederlands Kamerkoor e a Orquestra Filarmónica da Rádio. Os seus CDs, J. S. Bach, Italian Concertos, Passacaglia e Dutch Delight, editados na etiqueta Brilliant Classics, têm sido aclamados internacionalmente. É organista titular do órgão Bätz de 1830 na Koepelkerk em Amesterdão, e organista litúrgico da Oude Kerke na mesma cidade, tocando o órgão Vater/Müller (1726/1738) e o órgão Ahrend (1965). Com o flautista de bisel Hester Gronleer estabeleceu um duo que cria programas inovadores para esta combinação de instrumentos.

 

   Notas ao Orgão   

Sexta-feira, 19 outubro, 21H30
Igreja de São João Evangelista (Colégio)

Johann Sebastian Bach

Matthias Havinga, órgão


 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Igreja de São João Evangelista (Colégio), Funchal

 

Este instrumento, com os seus 1586 tubos sonoros, integra-se num espaço sagrado de características bem particulares. Tratando-se de uma igreja de arquitectura típica dos colégios jesuítas, com uma nave de admirável amplitude e com acústica bastante amena, o órgão tinha de ser concebido, especialmente no que diz respeito às medidas dos tubos, com cuidado muito especial e singular. Assim, toda a tubaria deste instrumento, talhada em medidas largas, ecoa com intensa profundidade, e cada registo emite uma sonoridade com personalidade própria, fazendo parte de um conjunto harmónico mais baseado em sons fundamentais e menos em timbres resultantes dos harmónicos. Entendeu-se que seria indispensável doar este instrumento de uma certa “latinidade” sonora capaz de favorecer a execução de música antiga das escolas italiana, espanhola e portuguesa dos séculos XVII e XVIII.

 

Outro aspecto tomado em conta foi a necessidade de complementar o panorama organístico actual e local: o novo grande órgão presta-se, de uma forma ideal, para a realização de obras de épocas e de exigências técnico-artísticas para as quais nenhum dos 24 instrumentos históricos da Madeira oferece as condições adequadas, valorizando, para além disso, o conjunto do património organístico da Ilha da Madeira através da sua própria existência neste particular espaço sagrado, bem como por meio da sua convivência com os espécimes históricos. Na própria decisão de o colocar na Igreja do Colégio foram tomados em conta não apenas o espaço acústico, estético e litúrgico, mas também o facto de nele existir um importante órgão histórico que faz parte do rol dos instrumentos actualmente em via de serem restaurados.


I Manual - Órgão Principal (C-g’’’)
Flautado aberto de 12 palmos (8’)
Flautado tapado de 12 palmos (8’)
Oitava real (4’)
Tapado de 6 palmos (4’)
Quinzena (2’)
Dezanovena e 22ª
Mistura III
Corneta IV
Trompa de batalha* (mão esquerda)
Clarim* (mão direita)
Fagote* (mão esquerda)
Clarineta* (mão direita)

II Manual - Órgão Positivo (C-g’’’)
Flautado aberto de 12 palmos (8’)
Tapado de 12 palmos (8’)
Flautado aberto de 6 palmos (4’)
Dozena (2 2/3’)
Quinzena (2’)
Dezassetena (1 3/5’)
Dezanovena (1 1/3)
Címbala III
Trompa real (8’)

Pedal (C-f’)
Tapado de 24 palmos (16’)
Bordão de 12 palmos (8’)
Flautado de 6 palmos (4’)
Contrafagote de 24 palmos (16’)
Trompa de 12 palmos (8’)

Acoplamentos
II/I
I/Pedal
II/Pedal
* palhetas horizontais